Num dia cinzento, friorento, sem alma viva na rua, passeava eu, pela calçada, sem destino.
Procura espairecer um pouco e respirar o orvalho da noite, perdido nos meus pensamento.
Caminhava dando chutos em pequenas pedras, papéis e latas de refrigerantes.
Até que um papel chamou a minha atenção. Não perguntem porquê, mas é daquelas coisas que se intuí e se pára sem razão aparente.
Abaixei-me, peguei no papel amachucado, com lama seca e marcas de pneu.
Desembrulhei calmamente o papel, com cuidado, soprando para que a lama voasse e facilitasse a “descoberta”.
Uauuuu… uma nota de vinte euros! Espectáculo. Ganhei vinte euros. Valeu a pena, sair para a rua e espairecer o espírito e respirar ar puro.
Mas, comecei a pensar na nota.
Amachucada? Atirada para o chão. Esteve por certo sob o efeito de chuva, ou das águas das lavagens dos passeios… não sei, mas que estava “abandonada” estava. Que foi rejeitada, foi. Estava toda amachucada. Atropelada, também.
Enfim, por quanto passou aquela nota de vinte euros!?
Retirei uma lição.
A vida.
Como é a nossa vida? Já quantos passamos pelos mesmos testes da nota.
Sim.
Amachucados pelas agruras da vida.
Amarrotados na nossa esperança, na nossa vontade de vencer, de perseguir os nossos sonhos.
Atirados fora, quando as máquinas entraram nas fábricas, quando os resultados dos nosso esforço, começaram a cair pela fraqueza da saúde e da idade.
Molhados em lágrimas, pelas relações familiares, o filho, a filha, o marido a esposa, o pai, a mãe… ou outro familiar que não entendem a nosso forma de pensar, que não aceitam a nossa forma de viver de ver o nosso mundo.
Pisados pelo desprezo, pela inveja, pela fatalidade.
Calcados até á lama. Faltava a destruição fatal, para que o caminho da sepultura fosse o nosso último destino.
Sem esperança de vida.
No entanto, “alguém” passa e intui a nosso respeito e pára, olha, escuta e valoriza-nos. Transmite-nos força, coragem, recupera-nos.
Ajuda-nos.
Sopra no nosso pó. Suja a sua mão, começando a “desmachucar-nos”, cuidadosamente, vai abrindo o “nosso papel” como se fossemos a nota de vinte. Limpa-nos, estica-nos e alegra-se com o que vê! Uma nota de vinte euros.
Como a nota não perdeu o seu valor, mesmo amarrotada, também nós.
Passemos pelo que tivermos que passar. O nosso valor é muito grande. Mesmos amarrotados, desprezados, chutados e encharcados, somos o mesmo Ser com o mesmo valor desde o dia do nosso nascimento.
Não importa as agruras da vida, as tempestades, os desprezos, a infelicidade, os desaires, o despedimento.
O nosso valor está “lá” bem no fundo, na nossa essência. Continuamos com o nosso valor. Acreditemos que temos um valor inestimável. Não somos qualquer “coisa”. Somos muito importantes. E você que está a ler esta parábola, acredite, você pode, você é um vencedor, você nasceu para brilhar.
Há um provérbio que diz:
“ Os vencedores nunca desistem. Os desistentes nunca vencem”
Acredite que você é capaz.
Um abraço amigo
(Apanhador de papéis)
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