Encontramos-nos numa época de troca de presentes!
Para uns é um período de tempo melancólico.
Para outros de festa e alegria.
Ou por falta de motivação na quadra, ou por falta de amigos, de familiares, os primeiros passam a data sem qualquer interesse. Ou talvez com alguma dor oculta, porque perderam tudo; família, amigos, casa, carro, dinheiro, dignidade, respeito, etc.
E então, a maioria das pessoas esquece estes.
Estes, a que mais tarde, colocam-lhes o rótulo de mendigos. E para não os assistirem, e desculparem-se das suas responsabilidades de cidadãos, dão outro “rótulo” – vagabundos.
Assim, estão livre de exercerem a partilha.
É esta a sociedade que temos hoje…
Sem referências, sem o sentimento digno de partilha, não de ajuda, porque esse sentimento, eleva-os a pessoas importantes, que ao darem o que lhes sobra e para nada serve,buscam em troca o reconhecimento.
A partilha é um gesto nobre, honroso digno de poucos, infelizmente.
Porque estes partilham do que tem e não do que sobra. Estes abaixam-se, e estendem a mão, olham nos olhos com quem partilham. Sem a altivez ou na espera de um “muito obrigado”. Mas na consolação pessoal que sentem ao partilhar. É esse sentimento nobre, que esperam sentir dentro deles próprios. Não esperam o obrigado, mas sim, sentir que partilharam.
Infelizmente, outros há, que tocam as campainhas, buscam os holofotes e esperam pelas horas nobres, para aparecerem a dar. Estão famintos do obrigado e das vénias do reconhecimento público ou privado.
Infelizmente, também há outros, que longe destes meios, também humilham o “desprezado”com um presente, que é um veículo para receberem um muito obrigado. Será que conseguimos dar, sem esperar uma troca de presente, ou mesmo sem receber o ouvir de um obrigado?
Será que conseguimos partilhar, sem nada querer receber ou ouvir?
Será que somos nobres ao ponto de escondermos a nossa mão direita, para que a esquerda não se vanglorie?
Afinal para que serve esta quadra festiva?
Para partilhar, ou humilhar cada vez mais o já desesperado e rotulado nosso irmão!
Pense se porventura a desgraça bater à sua porta. Perdeu tudo. O que vai dar ou partilhar agora com os outros? A sociedade vai exclui-lo do mapa. Passou para o outro lado da barricada; dos pobres, dos vagabundos, dos desprezados.
Agora você deixou de prestar.
Já ninguém quer saber de si.
Você já não pode trocar presentes. Você é um número. Sem futuro… sem horizontes… sem amigos… sem familia...
Dar é humilhante. Porque se espera por um obrigado, ou por uma troca de presentes.
Partilhar é nobre… faz-se sem retorno… sem nada esperar, nem mesmo um obrigado. Partilhar e ofertar o que de melhor nós temos pode ser útil ao nosso próximo.
Pensem nisso!
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